Por Investing

O BTG Pactual divulgou nesta terça-feira (27) um relatório com prognósticos para o dólar em 2019. As estimativas do banco variam entre R$ 3,40 a R$ 5,00, calculadas a partir da avaliação da trajetória futura do risco Brasil (CDS de 10 anos) e das taxas de juros dos Estados Unidos. Para analisar o comportamento destas duas variáveis no preço do dólar no ano que vem, o banco elaborou três cenários diferentes que contemplam a realização de reformas e como elas impactam no ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas.

O primeiro cenário é o base, no qual há maior probabilidade de acontecer na avaliação da analista Iana Ferrão, que assina o relatório. Neste cenário, o risco Brasil encerra o ano que vem em 225 pontos, enquanto as taxas de juros de 10 anos do Tesouro americano aumentam para 3,5%, levando a moeda americana a R$ 3,90, no mesmo patamar do fim de 2018. Neste caso, é preciso que uma reforma da Previdência moderada seja aprovada, juntamento com medidas adicionais que mantenham a viabilidade e o funcionamento da lei de teto do aumento de gastos.

Esta previsão base do BTG combina com a análise feita pela equipe do Itaú BBA logo após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), que também aposta em dólar a R$ 3,90 no final do próximo ano. Na visão do maior banco privado do país, o menor risco país em 2019 será compensado pela redução do spread de juros em relação aos EUA, após a revisão da expectativa de manutenção da taxa Selic em 6,5% ao ano – contra 8% anteriormente -, devido à continuação de um cenário de inflação comportada. Além disso, o cenário base do BTG Pactual mostra o banco um pouco mais pessimista para o dólar em 2019 na comparação com a mediana do mercado apresentada pelo Boletim Focus mais recente. O relatório do Banco Central apresenta uma previsão de R$ 3,80 para a moeda americana no final do ano que vem.

Os outros dois cenários é uma avaliação alternativa. O cenário “benigno” estima o dólar fechando o ano que vem a R$ 3,40, com o risco Brasil retrocedendo para 150 pontos e que a taxa de juros de 10 anos do Tesouro americano se mantenha no atual nível de, aproximadamente, 3% ao ano ao longo de 2019. Para que este cenário mais favorável se confirme, a reforma da Previdência aprovada precisa ser forte, contemplando o regime dos trabalhadores da iniciativa privada, funcionalismo público e militares. Além disso, outras medidas de promoção do ajuste fiscal junto com reformas pró-produtividade precisam avançar no Congresso.

Dólar a R$ 5,00

Por outro lado, no cenário adverso, o risco Brasil salta para 400 pontos e a taxa de juros do Tesouro americano se eleva para 4%, levando a uma forte desvalorização cambial com o dólar chegando a R$ 5,00. Esse cenário acontece se a reforma da Previdência aprovada seja fraca, atingindo apenas as regras de aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada. Além disso, eventuais impasses políticos do governo eleito de Jair Bolsonaro (PSL) para avançar outras medidas relacionadas ao ajuste fiscal também impactam amplamente neste cenário de forte desvalorização.

Os três cenários apresentados pelo BTG Pactual preveem a manutenção da força do dólar frente às demais moedas globais e a leve valorização no preço das commodities no mercado internacional. Para o câmbio, o banco aposta na força da divisa norte-americana vistas nas últimas semanas. O índice dólar tem operado no patamar de 97 pontos, maior nível desde abril de 2017. Uma redução desse nível para a casa dos 90 pontos, praticado entre janeiro e março deste ano, reduziria a pressão sobre o real em cerca de R$ 0,30 por dólar.

Já a cotação das commodities, medido pelo índice Thomson Reuters/Jefferies Commodities CRB deverá valorizar para 184 pontos no final de 2019, sobre o patamar de 180 atualmente.

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