Dólar passa por correção e cai ante real em dia sem NY

Por Investing / Reuters

O dólar operava em baixa ante o real nesta quarta-feira, acompanhando a trajetória da moeda ante outras divisas emergentes no exterior e corrigindo parte do avanço da véspera, tendo como pano de fundo as preocupações sobre a economia norte-americana e a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Às 10:11, o dólar recuava 0,46 por cento, a 3,8413 reais na venda, depois de terminar a sessão anterior em alta de 0,44 por cento, a 3,8592 reais. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 0,3 por cento.

“O mercado exagerou um pouco ontem. Ao mesmo tempo, hoje não tem a referência da curva de juros norte-americana. Há espaço para uma correção”, disse o economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira.

Conjuntura Nacional

Internamente, os investidores acompanhavam as negociações políticas, um dia depois de novo adiamento da votação do projeto de lei da cessão onerosa, podendo ficar, inclusive, para 2019.

O fatiamento da reforma da Previdência admitido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro também gerava desconfiança dos investidores.

Na véspera, ele disse que pode dividir o envio de uma proposta de reforma ao Congresso Nacional, que inicialmente deve contemplar mudanças nas regras para o setor público e também que preveja a adoção de uma idade mínima para o recebimento de benefícios, com diferentes idades para a aposentadoria de homens e mulheres.

“Acho que, por ora, está tendo muito ruído. O mercado está sendo precipitado. Na hora que o novo governo se sentar na cadeira, vamos ver o que tem para fazer”, concluiu Vieira.

Conjuntura Internacional

Apesar de o achatamento da curva de juros norte-americana levantar o sinal amarelo sobre a possibilidade de recessão nos EUA, Vieira prefere optar pela cautela. “É um movimento natural de esgotamento do ciclo de aperto monetário, já que a política demora a ser repassada para a economia”, destacou.

Por outro lado, a frágil trégua entre Estados Unidos e China mantém as preocupações sobre desaquecimento econômico global, o que pode reforçar ainda mais os temores sobre a maior economia do globo.

Na véspera, Donald Trump já deixou claro que é o “homem das tarifas” e que, se a China não chegar a um acordo durante os 90 dias de trégua, ele não hesitará em elevar os impostos sobre os produtos chineses.

No mercado internacional, o dólar caía ante a cesta de moedas e também ante emergentes como o peso mexicano e a lira turca.

Nova York não opera nesta sessão por conta do fechamento dos mercados em homenagem ao ex-presidente George H.W. Bush, o que deve encolher a liquidez e deixar o mercado mais volátil.

Intervenção Bacen

O Banco Central realiza nesta sessão leilão de até 13,6 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de dezembro, no total de 12,217 bilhões de dólares.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Agenda

– 10:00 PMI Composto Markit (Nov)
– 12:30 Fluxo Cambial Estrangeiro

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