Dólar recua de olho em avanços na agenda econômica

A partir de Reuters e TC News

O dólar recuava ante o real no início do pregão desta terça-feira, de olho em avanços na agenda econômica em dia que terá participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em comissão da Câmara.

Tanto no Brasil como no exterior, o investidor aposta que cada vez mais bancos centrais deverão se render à necessidade de cortar a taxa básica de juros para evitar uma recessão global. Hoje a vez foi da Austrália, cujo banco central reduziu a taxa -alvo para a mínima histórica de 1,25% ao ano. Os números de desemprego e inflação na Zona do Euro de mais cedo confirmaram que a atividade econômica no bloco continua deprimida e que, na ausência de pressões inflacionarias, o melhor é manter uma política monetária frouxa. Adicione a esses temores as tensões da guerra comercial e você terá, no caso dos Estados Unidos, a inversão da curva de juros – que não é mais que o alerta mais poderoso de uma recessão: segundo os contratos futuros, as taxas dos Treasuries já projetam até três cortes do juro antes de dezembro – cinco meses atrás o panorama era completamente diferente, disse o gestor do fundo Alaska Black, Henrique Bredda.

Conjuntura Internacional

É nesse pano de fundo, de preocupações intensas e confusão geopolítica, que teremos um dia cheio de eventos, dados e discursos que permitirão ao investidor ter uma ideia melhor do cenário para as próximas semanas. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deve discursar hoje sobre política monetária e lançar alguma pista a mais sobre a evolução do balanço de riscos para a inflação e o emprego da autarquia. Aqui teremos números de produção industrial de abril, que podem confirmar a extensão da desaceleração vista ao longo do primeiro trimestre. Algumas vozes mais solitárias esperam alguma recuperação – grande parte por conta da alta do dólar, que pode ter impulsionado as exportações. Mesmo assim, essas suspeitas de atividade mais morna são as que levam o investidor local a precificar quase 100% de certeza que a Selic, nossa taxa básica de juros, será reduzida em pelo menos 25 pontos-básicas entre outubro e dezembro.

Hoje, os futuros dos índices acionários nos EUA sobem, o que aponta a uma reversão parcial das perdas da véspera causadas pelo tombo nas ações de tecnologia. O preço dos Treasuries caia pela primeira vez em uma semana, enquanto o dólar subia – sinal de um mercado confuso, porém ainda cauteloso com o panorama para a economia mundial. Notícias de investigações antitruste nas maiores empresas de tecnologia dos EUA rachou ainda mais o sentimento frágil do investidor global, que também reagiu mal aos dados de atividade manufatureira americana e as reduções de projeções de lucros corporativos por parte de analistas do Bank of America e do Citigroup.

Conjuntura Nacional

No Brasil, todo esse panorama de fragilidade deve ajudar a manter as apostas de uma Selic menor, ajudadas com a queda do dólar e um ambiente político cada vez menos confuso. O otimismo do investidor se centra nas ações e palavras dos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, que agem nos bastidores para aprovar matérias de interesse da economia e para acelerar a aprovação da Reforma da Previdência, quem sabe, para algum momento entre final de junho e início de julho. O mercado, assim, está esperançoso com a possibilidade de que o relatório final da reforma na Comissão Especial seja apresentado nesta quinta-feira.

Banco Central

O BC realiza nesta sessão leilão de até 5,05 mil swaps cambiais tradicionais, correspondentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de julho, no total de 10,089 bilhões de dólares.

Agenda

05h00 IPC mensal (maio) – Fipe
08h00 IPC-S Capitais semanal (maio) – FGV
09h00 Produção industrial anual (abril) – IBGE
09h00 Produção industrial mensal (abril) – IBGE

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