Fatores como recessãoinflaçãoalta do dólar e as investigações contra Michel Temer já criam um cenário complexo para o mercado. Some isso às consequências da operação Carne Fraca e empresas da área de carnes e derivados, como JBS, BRF e Marfrig precisam de novas estratégias para manter suas posições. As informações são da Gazeta do Povo.

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) divulgou uma lista com os 20 maiores lucros e prejuízos dos três primeiros meses de 2017 e, para surpresa de alguns investidores, a única empresa do setor de proteína animal com lucros no primeiro trimestre foi a justamente a JBS.

Entre vencedores e feridos

Mesmo com a repercussão apresentada pela nova crise do governo Temer, a JBS obteve lucro de R$ 422 mil no primeiro trimestre, uma diferença considerável quando comparado ao mesmo período de 2016, quando a empresa registrou prejuízo R$ -2,7 milhões.

Enquanto isso, a BRF e a Marfrig tiveram prejuízos de R$ -281 mil e R$ -233 mil, respectivamente, no fechamento dos três primeiros meses desse ano (Fonte: Economatica).

Mehanna Mehanna, analista de investimento e sócio fundador da PHI Investimentos (representante da Ágora Investimentos em Curitiba), destacou que a variação cambial foi o que mais impactou as três companhias. Segundo o especialista, essa variação gerou grande prejuízos para BRF porque seus dois principais compradores, China e Hong Kong, são afetados diretamente pelo câmbio. “Já a Marfrig aumentou seu endividamento e foi prejudicada no mercado doméstico pela Carne Fraca. Externamente, sua subsidiária teve bons resultados”, complementa Mehanna.

O analista destaca que a presença multinacional da JBS foi um grande impulsionador para que a companhia mantivesse sua produção e alcançasse resultados melhores que suas concorrentes: “A produção foi muito forte nos Estados Unidos, o que puxou os resultados para cima, com o ciclo do gado favorável. Com maior disponibilidade de produção, a subsidiária americana conseguiu aumentar o volume de exportações”.

Presença de peso

Nicolas Berhorst, responsável pelas análises fundamentalistas da PHI Investimentos, explica que o porte das empresas representa grande importância em um cenário como o atual. De acordo com suas análises, enquanto o faturamento da JBS ultrapassa R$ 37 bilhões no trimestre, a BRF tem R$ 7 bilhões e a Marfrig R$ 4 bilhões. “São três empresas com produtos semelhantes, mas tamanhos diferentes. A Marfrig teve receitas impactadas em 15%, mas foi mais eficiente”.

Assim como explicado por Mehanna, Berhorst destaca que a JBS foi beneficiada também pelo dólar: “A JBS tem 92% da sua dívida em dólar. Em março do ano passado, estávamos em R$ 3,62 por dólar no período da divulgação do balanço. Até anteontem era R$ 3,10”.

Não é surpresa que uma companhia com o porte multinacional da JBS tenha seu lucro fortemente influenciado pela moeda norte-americana.

No vermelho

Dentre as 20 empresas com capital aberto que fecharam o primeiro trimestre com prejuízo, a BRF lidera o ranking com um prejuízo de R$ -281.434, seguida pela PDG Realt (Edificações), que registrou R$ -275.720, pela Rumo S.A. (Transporte ferroviário), com R$ -249.193 e com a Marfrig, que fechou o primeiro trimestre com R$ 233.210 a menos em suas contas.

Leia o texto da Gazeta do Povo na íntegra aqui: No olho do furacão, JBS é a única do setor a lucrar no 1º tri

Compartilhar: