Até o dia 13 de abril, o Banco Central (BC) registrou uma perda de R$ 327 milhões com os contratos de swaps cambiais. No mês de março, a perda havia sido de R$ 1,240 bilhão, mas, apesar desses números, o total no ano até agora é positivo com ganho de R$ 5,650 bilhões.

O swap cambial é um derivativo, ou seja, um contrato que estipula pagamentos futuros e que relaciona as flutuações entre a taxa de câmbio e a taxa de juros em um período específico. Resumidamente, para o BC ter um resultado positivo com esses contratos, o dólar deve cair frente ao real.

O BC e os swaps

Apesar de os swaps não existirem para prover ou desprover o BC, eles funcionam como uma proteção cambial ao mercado e também garantem liquidez em períodos instáveis, mantendo as reservas internacionais.

As operações de swap carregam um impacto fiscal significante, pois consideram ganhos e perdas que são contabilizados na conta de juros, o que resulta em uma expressiva influência no resultado nominal do setor público.

Em 2015, a perda de swaps ampliou o gasto do Produto Interno Bruto (PIB) com juro a 8,36%, e trouxe o déficit nominal para 10,22% do produto. No entanto, em 2016, o ganho com este tipo de operação auxiliou na redução de gasto com o juro, trazendo a 6,49% e o déficit nominal para 8,98%.

Porém, com a queda no estoque de swaps em 2017 (atualmente vendidos de maneira mais intensa), essas variações perderam um pouco de sua relevância para os resultados fiscais, que começam a refletir outros pontos como o crescimento do endividamento, a taxa de juros e a inflação.

O dólar em 2017

O dólar vem perdendo terreno para outras moedas consideradas “portos-seguros”. Uma das razões para esse comportamento do mercado é a recente tensão geopolítica. No Brasil, a queda de 1,28% do dólar registrada na última segunda (17) foi motivada em grande parte pela indicação de que o BC deve efetuar uma “queima” de todo o estoque de contratos de swaps com vencimento em maio.

No cenário internacional, o dólar também deve apresentar uma queda contínua – apesar de não muito abrupta – sobre outras moedas. Segundo Dominic Schnider, diretor de câmbio do UBS, a projeção indica uma queda adicional de 5% na cotação da moeda americana nos próximos meses.

Outros motivos que envolvem a queda do dólar são dúvidas sobre a governabilidade do republicano Donald Trump, além das decisões do Banco Central Europeu (BCE) sobre o relaxamento quantitativo, reduzindo a compra de ativos.

Schnider disse em entrevista ao portal CNBC, que “o euro está muito subvalorizado, com a chance de que a autoridade monetária europeia reduza o programa de compra de ativos no segundo semestre, então o euro/dólar deve ver uma recuperação decente”.

“No longo prazo, não é apenas quanto dinheiro que você faz que determina sua prosperidade futura. É quanto desse dinheiro você coloca para trabalhar ao economizar e investir…” – Peter Lynch

Escrito por Larissa Moutinho, jornalista MTB 6805, assessora responsável pela comunicação da TORO Investimentos. Foi editora da Revista ADVFN e jornalista da InvestMais. Pós-graduada em marketing e pós-graduanda em finanças.

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